Abrir um negócio é uma empreitada que exige muito empenho e, sobretudo, um bom planejamento. É preciso conhecer bem o mercado no qual você vai atuar, buscar competências para oferecer um bom serviço, com diferencial em relação aos concorrentes, estruturar a operação do negócio e, dentre outras coisas mais, ter um ótimo controle financeiro para a empresa.
E quando falamos em controle financeiro, um dos elementos mais importantes para qualquer negócio é o capital de giro. Neste artigo vamos ajudar você a entender o que é, como calculá-lo e, ainda melhor: daremos 5 ideias de como conseguir esse capital de giro para abrir seu negócio. Fique conosco!
Em suma, o capital de giro é o montante financeiro que possibilita e resguarda o funcionamento de um negócio. Ele cobre despesas operacionais do dia a dia da empresa, como pagamento de funcionários, fornecedores, aluguel, tributos, contas de consumo de água, luz, telefone, reposição de estoque, entre outros.
A importância do capital de giro está justamente no fato de que essas despesas costumam ser constantes, enquanto o recebimento do dinheiro pelos produtos vendidos ou serviços prestados costuma ser inconstante.
Por exemplo: a sua empresa pode oferecer um produto ou serviço com pagamento a prazo e, até que você receba de fato todo o valor por esse produto ou serviço, é o capital de giro que manterá sua empresa com as despesas em dia.
Assim, o capital de giro também é essencial para que você possa oferecer meios de pagamento mais flexíveis a seus clientes. Afinal, caso seu negócio não dê opções diversificadas de pagamento, provavelmente vai perder clientes para quem o faça.
Além disso, sabemos que a grande maioria dos negócios está sujeita à sazonalidade, ou seja, há meses em que o faturamento é estável, mas há também os meses de baixa na venda de produtos e serviços. Logo, é o capital de giro que resguardará a sua empresa nos momentos de desequilíbrio financeiro em caixa.
Você pode estar pensando: mas se o capital de giro ajuda a manter o funcionamento diário da empresa, eu realmente preciso me preocupar com ele ainda no momento de abrir meu negócio?
Sim! Na verdade, a relevância do capital de giro no momento da abertura de um negócio é tão significativa quanto ao longo de seu funcionamento.
Na prática, a realidade da maioria dos novos negócios é enfrentar meses, ou mesmo anos, até que o fluxo financeiro se ajuste. Isso implica o alto risco de mortalidade de negócios com menos de 5 anos de existência, o que é um fato para grande parte dos novos empreendedores no Brasil.
Esse risco está diretamente ligado à baixa liquidez do negócio no início. Segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a liquidez é a capacidade de converter um ativo em dinheiro.
Para as empresas, isso diz respeito à capacidade de pagamento para quitar suas dívidas e honrar seus compromissos financeiros.
Logo, como no início da vida do negócio a tendência é ter altos gastos – para estruturar, regularizar e dar insumos ao seu funcionamento – e lucro não tão imediato, a liquidez fica comprometida.
A solução para não entrar para as estatísticas de baixa sobrevivência de novos negócios está, como já salientamos no início deste artigo, em ter um planejamento financeiro exemplar.
Isso inclui antever os custos de funcionamento de sua empresa e, com isso, descobrir qual o capital de giro necessário. Veja abaixo como fazer essa estimativa.
Há certo consenso de que o capital de giro deve ser de, no mínimo, seis vezes o valor das despesas mensais de um negócio.
Em geral, estimar o valor dessas despesas não é tão complexo, uma vez que a maioria delas tem valor fixo ou pouco variável, mas é importante levar em conta que algumas delas podem oscilar e é preciso avaliar essa faixa de variação.
Mas, para ser mais exato no cálculo do capital de giro, é importante conhecer os conceitos de ativo circulante e passivo circulante.
É o recurso financeiro que sua empresa tem disponível em caixa, nos bancos, em aplicações financeiras (de alta liquidez ou liquidez imediata) e em contas a receber em curto prazo.
É o valor das contas a pagar em um curto prazo, como salários, fornecedores, encargos, contas de consumo, entre outros.
Estimando os valores de ativo e passivo circulantes, é possível chegar ao valor do capital de giro líquido (CGL), ou seja, o valor que você de fato precisa garantir que esteja disponível como seu capital de giro. O cálculo é feito da seguinte maneira:
Para exemplificar, uma empresa cujo ativo circulante seja de R$ 60.000,00 e o passivo circulante seja de R$ 20.000,00 terá um CGL de R\$ 40.000,00. Um CGL positivo, ou seja, indicador de boa saúde financeira.
Já se empresa tiver os mesmos R$ 60.000,00 de ativo circulante, mas um valor maior de passivo circulante, digamos R$ 80.000,00, seu CGL será negativo em R\$ 20.000,00, indicando um desequilíbrio financeiro que precisa ser sanado o quanto antes.
Como o ativo e o passivo circulante podem variar bastante, é essencial que o CGL seja acompanhado mensalmente e que, uma vez usado o seu capital de giro para cobrir seus custos operacionais, este deve ser reposto o mais breve possível, a fim de garantir uma boa saúde financeira ao seu negócio.
Diferentemente das empresas já estabelecidas no mercado, uma nova empresa não conta com os recursos provenientes do próprio negócio para atender à necessidade de capital de giro.
Como você pôde perceber, essa quantia geralmente é alta, então, afinal, como obter o montante? Acompanhe abaixo as ideias que selecionamos para que você possa alcançar o capital de giro necessário para abrir seu negócio com segurança.
Uma fonte de recursos muito comumente usada na abertura de novos negócios é o patrimônio pessoal do empreendedor.
Geralmente são recursos poupados em reservas de emergência, vendas de bens pessoais ou mesmo de salário procedente de atividade fixa que a pessoa exerça paralelamente ao novo negócio.
Embora sejam recursos de fácil acesso – e sem taxa de juros, já que é você mesmo quem “empresta” o dinheiro ao negócio – é importante que se tenha um planejamento muito bem estruturado para não comprometer as finanças pessoais, afinal “cobrir um santo para descobrir outro” nunca vale a pena.
Essa é a maneira mais tradicional de obter capital de giro. Em geral, todo banco oferece uma linha de crédito para capital de giro.
A imensa diversidade de instituições que disponibilizam esse tipo de empréstimo pode ser uma vantagem – para isso, é importante fazer uma boa pesquisa e simular as taxas de juros e as condições da transação, de modo que se adequem às suas possibilidades e ao seu contexto.
Recursos que advêm do interesse de pessoas, físicas ou jurídicas, em investir no seu negócio.
Podem ser captados de eventuais sócios, programas de investimento, investidores-anjo, incubadoras e aceleradoras de negócios, dentre outros. É uma boa maneira de fazer seu negócio engrenar sem ter que comprometer direta ou indiretamente o seu dinheiro.
Um importante ponto de atenção, no entanto, são o tempo e o esforço empreendidos na busca por esses investidores.
Também conhecidos como P2P (peer to peer), são uma modalidade de crowdfunding (financiamento coletivo) direcionado para pequenos negócios e projetos.
O processo todo é feito em plataformas digitais que reúnem empreendedores que buscam crédito e empresas que querem investir em novos negócios. A vantagem desse modelo é ser menos burocrático e oferecer taxas de juros menores.
Além disso, por não contarem com a intermediação de bancos ou instituições financeiras, os tomadores de crédito e os investidores é quem “ditam as regras do jogo”.
Há, por exemplo, plataformas em que você pode escolher a taxa de juros que quer pagar – sujeito, claro, a conseguir mais investimentos quanto maior for a taxa.
Também é possível investir em grupos de pessoas ou empresas, diminuindo o risco de inadimplência, além de outras possibilidades de personalização das condições do empréstimo.
Por fim, também há a opção de utilizar o seu saldo do FGTS para criar ou incrementar o seu capital de giro ao abrir o seu negócio. Há algumas maneiras de fazer isso.
A primeira opção seria utilizar o saque-rescisão, ou seja, o valor que fica disponível integralmente para saque quando o trabalhador é demitido sem justa causa. Muitas pessoas que se encontram nessa situação aproveitam o momento para tentar empreender, e este recurso pode ser um ótimo começo.
Já nos casos em que a pessoa não tem acesso ao saque-rescisão, é possível buscar um empréstimo consignado com o FGTS como garantia ou, ainda, optar pelo saque imediato ou pelo saque-aniversário, modalidades criadas pelo governo em 2019 para facilitar o acesso aos valores depositados nas contas do FGTS.
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